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sábado, 4 de fevereiro de 2012

Bahia: Governador condena greve de PMs e cita mandados de prisões



 


O governador da Bahia, Jaques Wagner, tentou tranquilizar a população do estado em cerca de três minutos de pronunciamento oficial, transmitido pelas emissoras de rádio e TV por volta das 20h15 desta sexta-feira (3).

“A democracia é o império da lei. Não podemos conviver com esse movimento já considerado ilegal pela Justiça baiana, além dos 12 mandados de prisão que já foram emitidos”, diz. “Não aceito que um pequeno grupo, de forma irresponsável, cometa atos de desordem para assustar a nossa população”, relata.

Ele reafirmou a “intranquilidade” vivida nos últimos quatro dias, que tem resultado no fechamento antecipado do comércio, violência na rotina do trânsito e contra a população. 

“Estamos tomando providências para conter ações de um grupo de polícia usando métodos condenáveis e difundindo o medo na população, causando desordem”, afirma.

Em seguida, Jaques Wagner citou a presença dos soldados das Força Nacional e do Exército para reforço de segurança estadual. Ao todo, já estão presentes 2.350 soldados do Exército, Marinha e Aeronáutica e, no sábado (4), mais 600 devem ser acrescentados ao efetivo. O governador também ressalvou que pratica o diálogo constante para melhorias das condições de trabalho das polícias e agredeceu a presidente Dilma Rousseff por apoiar o deslocamento do contingente militar.

“O governo está sempre aberto à negociação. Foi com democracia que garantimos conquistas importantes como o aumento do salário, a compra de três mil viaturas e a incorporação de mais nove mil homens ao efetivo da Polícia Militar. Apesar de tudo, sei que não estamos na situação ideal e vou continuar trabalhando para melhorias das condições de trabalho das polícias da Bahia”.


Confira a íntegra do discurso
“Boa noite baianas e baianos.

Temos vivido nos últimos dias momentos de intranquilidade na capital e em algumas cidades do interior. quero tranquilizar você e sua família. Estamos tomando todas as providências para garantir a segurança dos nossos cidadãos. 

Agimos imediatamente, e com todo rigor, para conter as ações de um grupo de policiais que, usando métodos condenáveis e difundindo o medo na população, chegou a causar desordem em alguns pontos do nosso estado.

Ontem mesmo, a partir de um pedido direto a presidenta Dilma Rousseff, desembarcaram na Bahia os primeiros contingentes da força nacional de segurança que, juntamente com as forças armadas, já estão nas ruas para garantir a paz.

Hoje estão presentes, reforçando o policiamento, 2350 militares do exército, marinha e aeronáutica. Amanhã se somarão a este contingente mais 600 homens. não esperava outra atitude da nossa presidenta Dilma, defensora da democracia como eu. e sabedora de que a democracia é o território do império da lei. e portanto não podemos conviver com o movimento decretado ilegal pela justiça baiana, além disso, 12 mandados de prisão foram emitidos. 

Portanto conclamo a todos os profissionais da policia militar a retomarem a normalidade dos seus trabalhos.

O governo sempre esteve aberto para a negociação. Foi com democracia que garantimos conquistas importantes, como o aumento real do salário, investimos na compra de quase três mil viaturas e mais de 9 mil homens foram incorporados ao efetivo policial.
 
Apesar de todos esses esforços sei que ainda não estamos numa situação ideal e vamos seguir trabalhando firmemente para melhorar as condições de trabalho das polícias.

Estamos abertos ao diálogo. Mas o que não aceito é que um pequeno grupo, de forma irresponsável, cometa atos de desordem para assustar a população. continuarei firme contra este tipo de atitude.

A PM do estado da Bahia, centenária milícia de bravos e defensora da paz, não pode se transformar num instrumento de intimidação e desordem. Vamos seguir em frente trabalhando com muita determinação para garantir a segurança pública e a tranquilidade do povo baiano.
Contem com o seu governador. Boa noite e muito obrigado”.



Presença de ministro

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, deve viajar para Salvador no sábado (4) para participar das definições estratégicas para combater a violência e insegurança decorrentes da greve parcial dos policiais militares no estado, segundo a assessoria do governo da Bahia.

A previsão é que o ministro desembarque na Base Aérea da capital, às 10h, em companhia do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general José Carlos De Nardi, e da secretária Nacional da Segurança Pública (Senasp), Regina Miki. 

A comitiva nacional será recebida pelo governador Jaques Wagner, pelo comandante da 6ª Região Militar, general G. Dias, além do secretário de Segurança Pública, Maurício Barbosa.

A greve de parte dos PMs foi decretada na noite de terça-feira (31). A Secretaria de Segurança Pública estima que 1/3 do efetivo total, de 31 mil, esteja parado. 

Os policiais grevistas são vinculados à Associação de Policiais e Bombeiros do Estado da Bahia (Aspra), que organiza a mobilização, e desobedecem ordem judicial que determina retomada às atividades.



Reforço militar

Mais 144 soldados do Exército, deslocados de Recife (PE), desembarcaram no fim da tarde desta sexta-feira (3) no Aeroporto Internacional de Salvador para reforçar a segurança da capital baiana em meio à greve de parte dos policiais militares. 

Do aeroporto, eles seguem para realizar patrulhamento nas regiões da Paralela e Iguatemi, abarcando a Avenida ACM. Ao total, são 144 soldados do 4° Batalhão do Exército de Recife, diz o governo do estado.

A atuação do reforço ao policiamento na capital foi definida durante reunião ocorrida nesta tarde entre comandantes e chefes de segurança pública, com representantes da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, além da Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA), informou o tenente-comandante Cunha, oficial de comunicação da Região Militar.




G1-BA

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