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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Barbalha - Ce: Floresta Nacional do Araripe conquista ampliação de área

 
 
 
Um pequeno espaço que já vinha passando por um processo de reflorestamento passa a ser parte da Floresta Nacional do Araripe-Apodi (Flona-Araripe), por meio de decreto assinado pela presidente Dilma Rousseff. O repasse de 706, 77 hectares para a Flona é uma requisição de quase duas décadas. Cedido ao Estado para pesquisa agrícola, desde que a Epace foi extinta, a área voltou a ser campo experimental da Embrapa, em Barbalha. Este ano, finalmente foi decido em audiência a ampliação da Flona, regulamentada pela presidente Dilma.


A primeira Floresta reconhecida por decreto lei no Brasil, em 2 de maio de 1946, passa a ter uma área de 39.333,09 hectares de caatinga. A unidade de conservação, administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio) é integrante do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (Snuc). 
 
 
A área é considerada um dos últimos redutos de Mata Atlântica do Brasil e possui espécies raras da fauna e flora, a exemplo do Soldadinho-do-Araripe, ave em gravíssimo risco de extinção, que sobrevive na mata úmida no sopé da floresta. A área da floresta atinge a fronteira do Ceará com o Estado de Pernambuco, com abrangência em Municípios como Barbalha, Jardim, Crato, Missão Velha e Santana do Cariri.


Na área administrativa do campo experimental, também funciona atualmente atividades de pesquisa na área agrícola do Centec. Várias cultivares estão sendo trabalhadas na pequena área próximo da entrada, com estufas e criatórios.


O chefe da Flona, William Brito, afirma que a requisição do espaço era antiga, já que a área pertencia a Embrapa.


Segundo o chefe da Flona, várias frutas que vieram para a região foram experimentadas na área. Em 1995, os mais de 700 hectares foram solicitados para incorporação à floresta. “O melhor destino da área era virar floresta nacional, porque não tinha água. Então comecei a lutar pelo espaço. Consegui uma cessão em comodato pela Embrapa e, quando voltei, não estava mais na chefia da Floresta”, diz.


Ano passado houve uma audiência pública e o Ministério do Meio Ambiente consultou a Embrapa para verificar se o órgão ainda queria a área. “O que a presidente fez foi formalizar uma gestão que já fazíamos da área há mais de 10 anos”, diz.


Durante esse período, a floresta tem se recuperado com mais força com cultivos como o pequi e a janaguba, típicos da chapada. Antes o espaço era tomado pelo gado. A presença de barreiros na área, avalia William, é indispensável para desseden-tação da fauna e um eventual combate a incêndios.


William afirma que essa conquista do pequenos espaço, na floresta de 66 anos, é uma grande vitória. A área da Flona conta com o cerrado mais jovem do Brasil e espécies comuns apenas ao habitat do Araripe. O pequi, por exemplo, se diferencia do cultivado em outros Estados brasileiro, como Maranhão e Minas Gerais. Outra espécie com a beleza e característica raras, existe apenas no sopé da Chapada, que é o Soldadinho-do-Araripe.


Para o chefe da Flona, o cerrado do Araripe é muito ameaçado e tem espécies que não estão presentes em nenhum outro lugar. “Por isso que cada hectare que a gente ganha é importante”, frisa o ambientalista.


Ele também destaca a pequena área de mata atlântica, que é a mata úmida e com a maior parte das fontes, incluindo o sopé de serra entre Missão Velha, Jardim, Barbalha, Crato e vai até o município de Santana do Cariri. Esta é a área de morada do Soldadinho-do-Araripe, que poderá passar nos próximos anos à Unidade de Proteção Integral.


William destaca que mesmo sendo uma área muito pequena, tem uma grande valor biológico que merece ser preservado. “Nessa área de pouco mais de 700 hectares, estão espécies raras, endêmicas, e até espécies ameaçadas”, ressalta. O chefe da Flona diz que além de proteger a biodiversidade, também há um benefício social. Para se ter uma ideia, em 15 de maio foi iniciada a safra da fava danta, uma vargem, planta da mesma família do pau brasil e comercializada com uma multinacional, com sede no Maranhão.


Ano passado gerou renda em torno de R$ 400 mil. “Se dividir isso por 150 famílias é algo expressivo”, diz ele. Nessa área da ampliação acontece a coleta da fava danta, além do pequi que abastece a região.


Mesmo com o pouco ano de chuva, a reserva de mata é de grande importância para a absorção de água para realimentar as nascentes, os poços e as cacimbas que abastecem o Cariri. Como ano de seca, pela primeira vez na história, segundo o chefe da Flona, foi registrado fogo no mês de maio, numa área de menos de 5 hectares, provocado por caçadores. Ele alerta que caçar é crime e pode dar cadeia. A situação é bastante preocupante, porque esse ano só pode haver queima de 40 ha de floresta, e já foram queimados 5 ha. Uma brigada de 21 homens já está atuando e chegou a ser contratada de forma antecipada, no sentido de evitar queimadas na Chapada do Araripe.

 
Mais informações:

Escritório do Ibama
Casa Sede no Cariri
Praça Filemon Teles, S/N
Bairro do Pimenta
Telefone: (88) 3523. 1057

ELIZÂNGELA SANTOS
Repórter do Jornal Diário do Nordeste 
 
 
 
Blog do Crato
 

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