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sábado, 23 de junho de 2012

Paraguai tem novo presidente em meio a clima de incerteza






O novo presidente do Paraguai, Federico Franco, jura sobre a Bíblia, segurada por sua mulher, nesta sexta-feira (22) ao tomar posse em Assunção (Foto: AP)

Com o centro tomado por barricadas, lojas fechadas e ruas desertas, a capital paraguaia, Assunção, assistiu na sexta-feira (22) à queda de Fernando Lugo e a ascensão ao poder de Federico Franco – em um processo `relâmpago´ de impeachment visto com grande apreensão pela comunidade internacional.

Ao menos 5 mil partidários do presidente deposto se reuniram em frente ao Parlamento e entraram em confronto com forças policiais assim que o Senado anunciou o afastamento de Lugo do poder.

Mais de 4 mil policiais tentaram dispersar a multidão usando gás lacrimogênio e munição não letal. A ação levou confusão e desespero à multidão de manifestantes, que acabou se dispersando. Muitos voltaram depois, dessa vez para protestar pacificamente.

“Derrubaram Lugo”, afirmou uma mulher de meia idade no aeroporto de Assunção. As reações dos demais variaram entre olhares graves, palavras de reprovação mas também indiferença.

Passageiros ouviam o desfecho do julgamento por meio de rádios ainda dentro do avião que chegava do Brasil. No desembarque, taxistas avisavam que o centro da cidade – onde fica o Congresso – havia sido interditado pela polícia após ser tomado pelos manifestantes
“Houve um golpe, é muito perigoso ir para lá agora”, explicou um motorista, que concordou em deixar um grupo de jornalistas – entre os quais a reportagem da BBC Brasil – em um ponto a dez quadras do centro.



Bloqueios
No caminho, as ruas vazias e o comércio fechado davam a impressão de uma tarde de domingo. À medida que o carro se aproximava da praça do Congresso, porém, barricadas e cercas vigiadas por policiais mostravam que não se tratava de um dia comum.

As barricadas haviam sido montadas com barris de metal enfileirados. Policiais usavam varas de metal para improvisar cancelas.

No trajeto de dez quadras a pé em direção ao centro, a BBC Brasil cruzou com cerca de 15 manifestantes solitários ou em pequenos grupos, que aparentavam cansaço e desalento. Diziam que o grosso da multidão já havia se dispersado e que retornariam às ruas no dia seguinte.

Mais numerosos eram jornalistas, arrastando malas e equipamentos de TV para seus hotéis, e principalmente policiais agrupados nas esquinas.

Num ponto de táxi nos arredores do Congresso, três taxistas assistiam à transmissão dos eventos na TV.

“Temos que esperar pelas reações: muita gente ainda não sabe o que está acontecendo, tudo foi muito rápido”, diz o taxista Ariel Ortega. “Nós, paraguaios, somos tranqüilos, mas há limites”.



Reação internacional
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou que não reconhece o novo governo do Paraguai. Ele disse que a destituição de Lugo foi um golpe contra a população paraguaia, a Unasul (União de Nações Sul-Americanas) e que o atual governo é ilegítimo.

Os governo da Argentina, do Equador, da República Dominicana e da Bolívia também classificaram a destituição de Lugo como um “golpe de Estado”, segundo a agência de notícias Efe.

O secretário-geral da Unasul Ali Rodrigues Araque afirmou à BBC Brasil que a comunidade sul-americana está diante de “uma situação de fato, de um golpe de Estado”.
A Unasul avalia que não foi respeitado o devido processo legal para que Lugo pudesse se defender das acusações e que a democracia no país está ameaçada.

O presidente Chávez indicou ainda que poderá haver sanções contra o novo governo paraguaio por parte dos países da Unasul. “Isso não termina aí”, afirmou.

O Brasil liderou uma missão de chanceleres sul-americanos enviada ao Paraguai ainda na quinta-feira. A viagem se baseou em um protocolo da Unasul que dá aos seus membros a possibilidade de impor sanções a um país em caso “de ruptura ou ameaça de ruptura da ordem democrática”.

Um dos artigos do documento prevê como sanção o fechamento das fronteiras com o Paraguai. Até a madrugada de sábado, o Itamaraty não havia emitido posição oficial do Brasil sobre o impeachment de Lugo.



Processo relâmpago
A Câmara dos Deputados paraguaia aprovou na quinta-feira a abertura do processo de impeachment contra Lugo como reflexo de um conflito agrário que deixou 18 mortos – entre policiais e sem-terra – durante a reintegração de posse da fazenda de um empresário ocorrida há uma semana.

Horas depois da aprovação, deputados apresentaram no Senado cinco principais acusações contra o então presidente. A maioria delas se relacionava a ligações de Lugo com movimentos “carperos” (sem-terra), ao suposto emprego irregular de militares em ações políticas ou relacionadas à questão da terra, e ao resultado desastroso da reintegração de posse da semana anterior.

Lugo e sua equipe tiveram então 18 horas para preparar uma defesa e mais duas horas para apresentá-la aos senadores na tarde de sexta-feira. No início da noite, um Senado dominado por ampla maioria oposicionista considerou Lugo culpado das acusações por 39 votos a quatro.

Já destituído do cargo – pouco mais de um dia após o início do processo de impeachment – Lugo fez um discurso de despedida no qual acatou a decisão do Congresso, embora a considerasse “covarde”.

“Hoje não é Fernando Lugo que recebe um golpe, hoje não é Fernando Lugo quem é destituído, é a história do Paraguai e sua democracia”, afirmou.

Minutos depois, seu ex-vice, Federico Franco, do PLRA (Partido Liberal Radical Autentico) recebeu a faixa presidencial prometendo respeito às instituições democráticas do país e garantindo que entregará o cargo ao próximo presidente, que deve ser eleito em 2013.

Lugo e Franco haviam chegado ao poder em 2008 formando uma aliança que quebrou uma hegemonia de seis décadas do Partido Colorado na Presidência. Mas, a aliança acabou sendo desfeita ao longo do mandato. O apoio do PLRA, que tem a segunda maior bancada no Senado, teve grande influência na aprovação do impeachment.

“O destino quis que eu assumisse a Presidência da República”, disse Franco em sua posse.



BBC Brasil

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