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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Eleição em Fortaleza enterra parceria entre PSB e PT na Capital

 
 
O fim da parceria entre PT e PSB na Capital, o qual culminou na eleição de Roberto Claudio, foi definido às vésperas do início das campanhas eleitorais. Se deu com os desentendimentos entre os partidos, encabeçados, respectivamente, pela prefeita de Fortaleza, Luzianne Lins; e pelo governador do Estado, Cid Gomes.

Apesar de serem aliados no âmbito estadual e nacional, o contexto na Capital mostrou um cenário bastante diferente. Enquanto nomes conhecidos da oposição apontavam para a disputa, a exemplo de Heitor Férrer (PDT), Marcos Cals (PSDB), Renato Roseno (PSOL), Moroni Torgan (DEM) e outros, o PT e o PSB não conseguiam chegar a um nome comum para disputar as eleições para o próximo prefeito de Fortaleza.

Desde o início, a prefeita Luizianne mantinha posições firmes em relação à indicação da cabeça da chapa que teria o apoio dos demais aliados, entre eles o PSB e o PMDB. Entre os possíveis pré-candidatos do PT, destacavam-se o senador José Pimentel, o deputado federal Artur Bruno; o secretário de educação do Município Elmano de Freitas; o secretário de Cidades do Estado Camilo Santana; além dos o vereadores Acrísio Sena e Guilherme Sampaio.

Já o governador Cid Gomes desejava que ambos os partidos decidissem um nome comum, não deixando a escolha do candidato apenas para os petistas. Cid chegou inclusive a exonerar três deputados do PT que ocupavam secretarias do Governo do Estado em decorrência da escolha do candidato a prefeito de Fortaleza. Foram esses Camilo Santana, Nelson Martins e Francisco Pinheiro. Os três agradavam os pessebista para a disputa.

 
Rompimento
Com a ajuda do presidente Nacional do PT, Rui Falcão, as conversas internas foram chegando a uma decisão e, no início de junho, o secretário de educação foi escolhido por todos os delegados petistas para concorrer à disputa. O próximo passo seria convencer os aliados de continuarem na chapa, apesar de eles não terem participado da decisão do candidato.

Com a ajuda de Rui Falcão e do ex-presidente Lula, Luizianne tentou segurar a aliança com o governador do Estado. Cid, porém, não aceitou a indicação de Elmano, por ter sido, segundo ele, "imposta". A decisão do partido do governador Cid Gomes (PSB-CE) em ter candidato próprio marcou, dessa forma, o fim da aliança eleitoral mantida há anos entre PSB e PT na Capital.

Os nomes do presidente da Assembleia Legislativa, Roberto Cláudio, do até então ex-secretário Especial da Copa, Ferruccio Feitosa, e do vereador Salmito Filho foram as indicações do partido. No dia 21 de junho, Roberto Claudio foi escolhido para representar o partido nas eleições municipais. Estava assim, rompida a aliança entre o PT e o PSB.

 
Campanha eleitoral

As movimentações da campanha iniciaram e os candidatos, que eram até então aliados, passaram a disputar a atenção e o voto dos fortalezenses entre si e com outros candidatos, a exemplo de Moroni Torgan (DEM) e Inácio (PC do B), que inclusive eram os preferidos da população, segundo as primeiras pesquisas divulgadas.

Mas o cenário mudou quando iniciou a propaganda eleitoral gratuita na TV e no Rádio. Os programas foram excelentes oportunidades para os apoiadores dos candidatos mostrarem suas ações e pedirem o apoio dos cidadãos. Assim. Elmano e Roberto Claudio foram crescendo nas pesquisas e a campanha foi se polarizando nas disputas entre o PT e PSB. Por trás dos candidatos, havia dois modelos de gestão distintos, o municipal e o estadual, e eram as ações executadas pelos respectivos governantes que foram evidenciadas durante a campanha. Não faltou troca de acusações.

 
Lula e Dilma
Enquanto a presidente Dilma optou por não vir a capital para fazer campanha, muito menos gravar apoio para o horário eleitoral do PT - posto que não queria se indispor com a base aliada -, o ex-presidente Lula engajou-se de corpo e alma na campanha de Elmano de Freitas. Lula gravou programa eleitoral, ressaltando a experiência do candidato e a gestão de Luizianne Lins. Na última semana de campanha, inclusive, Lula veio para um grande comício no Centro da cidade, chegando até mesmo a soltar indiretas para os opositores de Elmano.

 
Conflito entre governador e prefeita

O clima de concorrência entre os cadidatos contagiou também os seus padrinhos: Luizianne Lins e Cid Gomes. Depois de muito tempo aliados, os dois decidiram trocar farpas em plena campanha eleitoral. Cid chegou a dizer que Luizianne era muito vaidosa e que ele não teria feito mais por Fortaleza porque a prefeita o impedia. Em resposta, Luizianne chegou a questionar as obras feitas pelo Governo e a licença de Cid Gomes, que na última semana afastou-se do cargo para dedicar-se à campanha de Roberto Claudio.

 
Novo prefeito

Apesar de sua candidatura ter sido lançada na véspara das movimentações eleitorais e de ter que lidar com a imagem do ex-presidente Lula na campanha de seu maior opositor, Elmano de Freitas, Roberto Claudio foi o escolhido pelos fortalezenses para governar a cidade nos próximos anos. Ele venceu com 53,02% no segundo turno da eleição municipal, e deve assumir o cargo pela primeira vez em 2013. 
 
A vitória, porém, não foi apenas de Roberto Claudio. Pode-se dizer que venceu também o modelo político de gestão do Governo do Estado.

 
Saldo do PT

O Partido dos Trabalhadores termina as eleições 2012, em Fortaleza, com quatro vereadores eleito e com uma dúvida em relação ao futuro político da atual prefeita Luizianne Lins, que não conseguiu fazer o seu sucessor. 
 
 
 
 
Diário do Nordeste
 

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