Cresce a cada dia o sentimento petista de que é preciso deixar claro
para o eleitor que a eleição do Recife coloca, pela primeira vez, em
lados opostos seu maior cardeal e o governador de Pernambuco; o termo
“adversário” já virou uma constante para os respectivos grupos
Não é novidade para ninguém que a
aliança nacional entre o PT e o PSB vive uma crise alimentada por várias
divergências regionais. Porém, agora, os petistas não parecem mais
dispostos a discutirem a reconstrução das pontes locais entre os dois
partidos e começam a adotar uma postura mais dura em relação ao (quase
ex-) aliado histórico. No Recife, onde essa parceria nasceu, há mais de
20 anos, com o falecido governador Miguel Arraes (PSB) como
protagonista, cresce a cada dia, nos flancos vermelhos, o bloco que
defende uma postura de oposição justamente ao neto da referência
socialista, o governador Eduardo Campos (PSB).
E, para deixar clara essa ideia, os correligionários do candidato a
prefeito do Recife Humberto Costa (PT) disseminam que o pleito municipal
será um verdadeiro embate entre Campos e o maior cardeal petista, o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O pensamento é alimentado pelo
fato de que, mesmo após ouvir apelos do aliado para o apoio à postulação
petista, Eduardo, que também preside nacionalmente o PSB, lançou nome
próprio, o seu ex-secretário Geraldo Júlio.
Os petistas analisam que, apesar do discurso mantido pelo governador de
Pernambuco, de que a parceria com o PT – leia-se no governo da
presidente Dilma Rousseff (PT) - é uma prioridade do seu partido, foi
justamente nas hostes amarelas que eclodiram os principais traços de
ruptura. O start foi dado em Fortaleza, quando socialistas anunciaram
que não apoiarão o candidato petista, Elmano de Freitas, e que irão para
a disputa nas urnas com nome próprio, Roberto Cláudio. Na sequência, o
PSB seguiu o mesmo caminho no Recife e, agora, distanciam em Belo
Horizonte.
O caso mineiro, inclusive, é destacado em artigo do ex-ministro José
Dirceu. No texto, publicado em seu blog, o petista afirma que o
episódio local ameaça a aliança nacional entre PT e PSB, uma vez que
teria o dedo do senador Aécio Neves (PSDB). Para o homem forte dos
bastidores petistas, o parlamentar teria alimentado a dissidência entre
os aliados.
No entanto, vale ressaltar que, no Recife, corre a
informação de que Eduardo Campos teria tentado levar os tucanos para o
palanque de Geraldo Júlio, mas justamente por intervenção de Aécio, que
também anda com um pé atrás no que diz respeito às pretensões nacionais
do governador pernambucano, a aproximação foi vetada. Um indício de que
os planos do gestor não incomodam somente ao PT.
Nem Ki Lask