O fim da parceria entre PT e PSB na Capital, o qual culminou na eleição
de Roberto Claudio, foi definido às vésperas do início das campanhas
eleitorais. Se deu com os desentendimentos entre os partidos,
encabeçados, respectivamente, pela prefeita de Fortaleza, Luzianne Lins;
e pelo governador do Estado, Cid Gomes.
Apesar de serem aliados
no âmbito estadual e nacional, o contexto na Capital mostrou um cenário
bastante diferente. Enquanto nomes conhecidos da oposição apontavam para
a disputa, a exemplo de Heitor Férrer (PDT), Marcos Cals (PSDB), Renato
Roseno (PSOL), Moroni Torgan (DEM) e outros, o PT e o PSB não
conseguiam chegar a um nome comum para disputar as eleições para o
próximo prefeito de Fortaleza.
Desde o início, a prefeita
Luizianne mantinha posições firmes em relação à indicação da cabeça da
chapa que teria o apoio dos demais aliados, entre eles o PSB e o PMDB.
Entre os possíveis pré-candidatos do PT, destacavam-se o senador José
Pimentel, o deputado federal Artur Bruno; o secretário de educação do
Município Elmano de Freitas; o secretário de Cidades do Estado Camilo
Santana; além dos o vereadores Acrísio Sena e Guilherme Sampaio.
Já
o governador Cid Gomes desejava que ambos os partidos decidissem um
nome comum, não deixando a escolha do candidato apenas para os petistas.
Cid chegou inclusive a exonerar três deputados do PT que ocupavam
secretarias do Governo do Estado em decorrência da escolha do candidato a
prefeito de Fortaleza. Foram esses Camilo Santana, Nelson Martins e
Francisco Pinheiro. Os três agradavam os pessebista para a disputa.
Rompimento
Com
a ajuda do presidente Nacional do PT, Rui Falcão, as conversas internas
foram chegando a uma decisão e, no início de junho, o secretário de
educação foi escolhido por todos os delegados petistas para concorrer à
disputa. O próximo passo seria convencer os aliados de continuarem na
chapa, apesar de eles não terem participado da decisão do candidato.
Com
a ajuda de Rui Falcão e do ex-presidente Lula, Luizianne tentou segurar
a aliança com o governador do Estado. Cid, porém, não aceitou a
indicação de Elmano, por ter sido, segundo ele, "imposta". A decisão do
partido do governador Cid Gomes (PSB-CE) em ter candidato próprio
marcou, dessa forma, o fim da aliança eleitoral mantida há anos entre
PSB e PT na Capital.
Os nomes do presidente da Assembleia
Legislativa, Roberto Cláudio, do até então ex-secretário Especial da
Copa, Ferruccio Feitosa, e do vereador Salmito Filho foram as indicações
do partido. No dia 21 de junho, Roberto Claudio foi escolhido para
representar o partido nas eleições municipais. Estava assim, rompida a
aliança entre o PT e o PSB.
Campanha eleitoral
As
movimentações da campanha iniciaram e os candidatos, que eram até então
aliados, passaram a disputar a atenção e o voto dos fortalezenses entre
si e com outros candidatos, a exemplo de Moroni Torgan (DEM) e Inácio
(PC do B), que inclusive eram os preferidos da população, segundo as
primeiras pesquisas divulgadas.
Mas o cenário mudou quando
iniciou a propaganda eleitoral gratuita na TV e no Rádio. Os programas
foram excelentes oportunidades para os apoiadores dos candidatos
mostrarem suas ações e pedirem o apoio dos cidadãos. Assim. Elmano e
Roberto Claudio foram crescendo nas pesquisas e a campanha foi se
polarizando nas disputas entre o PT e PSB. Por trás dos candidatos,
havia dois modelos de gestão distintos, o municipal e o estadual, e eram
as ações executadas pelos respectivos governantes que foram
evidenciadas durante a campanha. Não faltou troca de acusações.
Lula e Dilma
Enquanto
a presidente Dilma optou por não vir a capital para fazer campanha,
muito menos gravar apoio para o horário eleitoral do PT - posto que não
queria se indispor com a base aliada -, o ex-presidente Lula engajou-se
de corpo e alma na campanha de Elmano de Freitas. Lula gravou programa
eleitoral, ressaltando a experiência do candidato e a gestão de
Luizianne Lins. Na última semana de campanha, inclusive, Lula veio para
um grande comício no Centro da cidade, chegando até mesmo a soltar
indiretas para os opositores de Elmano.
Conflito entre governador e prefeita
O
clima de concorrência entre os cadidatos contagiou também os seus
padrinhos: Luizianne Lins e Cid Gomes. Depois de muito tempo aliados, os
dois decidiram trocar farpas em plena campanha eleitoral. Cid chegou a
dizer que Luizianne era muito vaidosa e que ele não teria feito mais por
Fortaleza porque a prefeita o impedia. Em resposta, Luizianne chegou a
questionar as obras feitas pelo Governo e a licença de Cid Gomes, que na
última semana afastou-se do cargo para dedicar-se à campanha de Roberto
Claudio.
Novo prefeito
Apesar de sua candidatura
ter sido lançada na véspara das movimentações eleitorais e de ter que
lidar com a imagem do ex-presidente Lula na campanha de seu maior
opositor, Elmano de Freitas, Roberto Claudio foi o escolhido pelos
fortalezenses para governar a cidade nos próximos anos. Ele venceu com
53,02% no segundo turno da eleição municipal, e deve assumir o cargo
pela primeira vez em 2013.
A vitória, porém, não foi apenas de Roberto
Claudio. Pode-se dizer que venceu também o modelo político de gestão do
Governo do Estado.
Saldo do PT
O Partido dos
Trabalhadores termina as eleições 2012, em Fortaleza, com quatro
vereadores eleito e com uma dúvida em relação ao futuro político da
atual prefeita Luizianne Lins, que não conseguiu fazer o seu sucessor.
Diário do Nordeste